Respiração e Saúde
Por Dra. Jane Magalhães (Pediatra)
Respirar é o mais fundamental exercício para a manutenção da vida.
Quando um bebê nasce, tudo se concentra no esforço para respirar. É
assim que captamos oxigênio, a matéria-prima, o alimento para todas as
células do nosso corpo. Sem ele, não sobrevivemos mais que alguns
minutos.
Nosso corpo tem até um aparelho especializado nisto. Dele fazem
parte nariz, rinofaringe, traquéia, brônquios e pulmões. Poucos sabem
da importância de respirar pelo nariz, mas isso é fundamental. Ao
passar por ali, o ar é aquecido, filtrado, umidificado e preparado
para entrar nos pulmões. Qualquer obstáculo à sua livre passagem gera
conseqüências que se refletem em todo nosso organismo.
Uma criança que respira pela boca estará sempre mais cansada até
para brincar. Terá mais dificuldade de prestar atenção em aula e,
portanto, notas piores (que podem ser compensadas por mais estudo em
outras horas). Sua arcada dentária ficará deformada, com conseqüente
dificuldade de mastigação. Aí, irá optar entre dois modos de resolver
a situação: ou come pouco e não ganha peso adequado ou descobre a
ingestão de líquidos durante a refeição e passa a comer ansiosamente,
com grandes chances de se tornar obesa. Também os pulmões podem ser
afetados: ao receberem um ar de má qualidade (frio, seco, cheio de
impurezas), terão mais chances de desenvolver doenças como bronquite
ou asma. Há outras doenças associadas à respiração oral:
desenvolvimento inadequado dos ossos da face (com achatamento da
parte média do rosto), sinusites de repetição, hipertrofia de
adenóides e/ou amígdalas, apinhamento dos dentes, mau hálito, má
postura, problemas de coluna. O ronco noturno e a apnéia do sono são
problemas maiores, pois podem levar até a morte.
Podemos perceber agora a importância de algumas medidas simples,
que são preventivas da respiração bucal: o aleitamento materno por,
pelo menos, seis meses, a evitação do uso de bicos (se não for possível,
que seja retirado quando a criança está "ferrada" no sono e que seu
uso não ultrapasse os dois anos de idade), o acompanhamento por
odontólogo desde os primeiros dentes, o estímulo à mastigação através
da oferta de alimentos mais consistentes e o acompanhamento pediátrico
de rotina nos primeiros anos de vida.
Se não cuidarmos bem das crianças, o que fazer com a dificuldade de
alguns adultos até para namorar? Como beijar "tomando ar" no meio do
beijo? Como dormir ao lado de um grande roncador?
Respirar bem é questão de qualidade de vida.
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