Ranger os dentes sem querer: isso se chama bruxismo
Por Dra. Maria de Fátima Silva Lucca e Dra. Betina Rost
O termo bruxismo vem do grego "Brychein Odontas", que significa
ranger os dentes, e é como chamamos o hábito persistente e involuntário
de apertar ou ranger os dentes sem motivo funcional, ou seja, fora do
período da mastigação e deglutição.
Ainda que a maioria das pessoas, em alguma época de sua vida,
realize atividade de bruxismo, é a repetição periódica e crônica que
caracteriza a patologia.
Apertar os dentes, morder as bochechas e lápis, assim como roer
unhas, são hábitos que possuem um fundo emocional bem definido e servem
de descarga das tensões. Porém estes e outros hábitos parafuncionais
são situações que geram hiperatividade muscular.
Nos indivíduos que não apresentam a patologia do bruxismo os
dentes ficam em contato, no máximo, duas horas em um período de 24
horas. Já no bruxismo, os dentes ficam em contato por, pelo menos 10
horas no mesmo período. A força máxima de mordida durante o bruxismo
pode ser até 5 vezes maior do que aquela que o paciente consegue
enquanto está acordado. Esta força é transmitida a todas as estruturas
do sistema mastigatório, os músculos e a articulação temporo mandibular.
Devido a essa pressão mandibular é que ocorre o aparecimento da dor,
podendo também provocar desgastes dentários, fraturas e deslocamento de
restaurações, fraturas de coroas e raízes dentárias, perdas ósseas,
dores musculares, destruição de próteses, dores e outros problemas
articulares e zumbidos no ouvidos.
Na fase infantil, o bruxismo pode ser decorrente da necessidade de
acomodação da oclusão, pois nesta fase estão ocorrendo as trocas
dentárias dos dentes de leite. Na criança a etiologia é preponderante
para o sucesso do tratamento.
Às vezes a melhor indicação é observação clínica periódica, pois
muitos se ajustam naturalmente à mudanças que determinaram o
aparecimento do hábito parafuncional.
Entre as indicações de tratamento está a Placa de Michigan ou
Placa Miorelaxante. Esta placa tem como finalidade eliminar
interferências oclusais e produzir uma oclusão próxima do ideal,
possibilitando que a articulação temporomandibular alcance sua posição
ideal, com redução e eliminação dos distúrbios musculares e
articulares.
Outra indicação é de proteção, já que o bruxismo é um hábito
geralmente noturno e inconsciente e seus efeitos podem ser manifestados
em severa destruição da dentição ou dos trabalhos reabilitadores.
O uso da placa, desde que sob supervisão profissional, é
indeterminado. Não existem contra indicações, desde que ela esteja
confortável, estável e bem ajustada. Como a atividade de bruxismo é
sazonal, o próprio paciente perceberá ao longo do tempo quais as fases
em que é necessário usá-la. É importante ressaltar que se não for
elaborada dentro de princípios oclusais rigorosos e bem definidos a
placa pode deixar de ter efeito protetor ou terapêutico, podendo
agravar ou perpetuar a disfunção existente.
Em crianças o tratamento, quando necessário, visa principalmente
proteger a estrutura dentária do desgaste e o mais indicado são as
placas flexíveis, confeccionadas à vácuo.
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